
“Acho a vida muito curta para gastar com coisas que nos aborrecem”. Filosofia simples de quem encara tanto a vida quanto a arte com leveza. Aos 27 anos, Rubens Lp é um artista gráfico que coleciona pinturas na memória, no papel e no computador. No currículo, desenho industrial. Da faculdade, manteve os bons amigos e abandonou as velhas teorias. Por gosto, aprimorou os traços e desde 2004 desenvolve a série Nouveau Art Nouveau, seu trabalho de linhas e pontos que se ligam para explorar a busca pelo belo.
O corpo feminino está fortemente retratado em suas obras. O que lhe atrai?
A maioria das formas sinuosas - design - criadas pelo homem foi inspirada no corpo da mulher. Para citar: Oscar Niemeyer e garrafa de Coca-Cola. O que seria a obra de Niemeyer sem a mulher? E a Coca-Cola, venderia tanto se não tivesse aquela forma? Preciso falar das propagandas de cerveja? O corpo da mulher tem uma forma que aguça os sentidos humanos. Não tem nada a ver com sexo. São formas. Até as mulheres são atraídas pelo corpo das mulheres; se não fosse assim, as capas das revistas femininas teria rapazes e não mulheres com suas barrigas de fora. Eu sou um homo sapiens apaixonado pelo belo. O que mais eu poderia retratar senão a maior beleza que existe sobre a Terra?
Na série Nouveau Art Nouveau você não fecha o desenho, é como se os corpos não tivessem um fim. Tem a ver com a nossa existência, sempre em evolução?
Você está na pista. Tem a ver com construção/desconstrução, mas não com evolução. Tem uma velha máxima que diz: “tudo que é sólido se desmancha no ar”. Esses desenhos servem para me lembrar que sou feito de matéria e que vou acabar um dia. Vou desmanchar. Esses desenhos estão se desmanchando. Quando eles entrarem em contato com você, você vai interpretar aquilo da sua forma e fechar os pontos. Vai criar uma ideia sobre aquilo. Então você estará criando também. O desenho fala: a gente nasce, cresce, reproduz e morre.

Com seu trabalho pessoal, o que buscar suscitar no mundo?
Antes de ser artista, eu sou um pensador. Gasto a maior parte do meu tempo lendo e pensando, e na outra pequena parte do dia traduzo minhas sensações atráves do desenho. Hoje procuro entender o mundo e explicar para as pessoas como isso funciona por meio da minha arte. Não que eu faça isso com intenção de abrir mentes, longe disso. Seres humanos são profundamente influenciados por imagens (entenda imagem como palavra também) que entram em contato com eles. Tudo que penetra no nosso campo de sentido de alguma forma nos transforma. Somos um fluxo de informações traduzido em carne e osso, e é só isso. As informações que eu recebo, eu passo para frente. Se melhorar alguma coisa, ótimo! Se não, eu pelo menos morro com minha consciência leve.
No seu trabalho há imagens de um Jesus Cristo bêbado e uma madre delicada e piedosa. O que religião representa para você? Os sentimentos em relação à religião são contrastantes, como suas imagens?
Cresci com várias imagens de Cristo e da Virgem Maria pela casa. Gosto de brincar com símbolos, ainda mais quando esses símbolos representam algo para alguém. É uma provocação para as pessoas entenderem que o Cristo bêbado e o Cristo crucificado são somente imagens criadas pelo homem. Gosto de provocar os valores que parecem enraizados na sociedade. Assim, as pessoas podem acordar de seu profundo sono e tratar imagens como imagens e pessoas como pessoas.

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Ficha Técnica Data de publicação: Edição 03 - Fevereiro 2009 Veículo: Revista Clix |