O fabuloso destino das especiarias

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“O Brasil na Rota das Especiarias é uma obra para todos aqueles que apreciam as histórias de aventuras vividas pelos homens atrás de sabores e aromas”. Com esta frase os diversos cadernos de cultura e artes pela Internet iniciam sua resenha sobre o novo livro da jornalista Rosa Nepomuceno.

Porém, se nos limitássemos a repetidas resenhas, cairíamos no mesmo erro dos antigos navegadores. Nos restringiríamos às margens do mar, nesse caso à leitura superficial das páginas, com receio de sucumbir no vazio do horizonte. Embarcar na fabulosa viagem proposta pela autora pelo mundo saboroso das especiarias é ter a oportunidade de romper os limites de lendas e mitos e navegar pelas rotas históricas que as riquezas orientais percorreram.

Em uma época que condimentos, temperos e plantas eram tidos como moeda de troca, equiparando-se hoje as cifras milionárias do petróleo, as narrativas mitológicas no ocidente serviram como poderosa arma contra os que tentavam chegar ao lucrativo comércio das ervas e sementes. Em busca dos tesouros de povos distantes, culturas milenares foram destruídas favorecendo o enriquecimento e sobrevivência dos povos europeus.

Aromas e sabores

Lançado pela editora José Olympio, o livro conta de forma competente e objetiva a saga dos navegadores envolvidos pelo inebriante aroma oriental que, ao longo dos séculos, levou as preciosidades às mesas de todo o mundo. No Brasil, não foi diferente e logo as plantas vindas da Ásia se habituaram ao rigoroso clima tropical da colônia. Descobriu-se também que tínhamos nas imensas florestas iguarias diversificadas que, tanto serviam para aguçar o paladar e conservar os alimentos, quanto no trato medicinal.

Em um minucioso trabalho de pesquisa, Rosa conta as curiosidades de cada espécie, sua utilidade e história. Em cada página, arrisca-se um mergulho no assombroso mar de monstros e fábulas desmentidas com o passar dos anos. Nossa moderna gastronomia hoje colhe os frutos das lendas passadas. Da refinada culinária francesa à temperada comida tailandesa, da sofisticação inglesa à feijoada brasileira, todas passam por uma só rota, a das especiarias.

Foi por esse caminho que se chegou aos grandes pratos e à arte de cozinhar. Pesquisa técnica ou pura intuição, os grandes chefs hoje fazem sucesso combinando os mais variados aromas e sabores. Não obstante, os que se aventuram em casa também sabem da importância de conhecer bem os alimentos que manuseiam. Uma simples curiosidade sobre cada prato surpreende e acrescenta em um jantar entre amigos e leva conhecimento a uma boa conversa.

Curiosidades das “grandes”

Canela: Originária do atual Sri Lanka, é a queridinha dos indianos. Para os povos hindus, esquenta e conforta o coração. Combate a fraqueza e o desânimo e aquece o corpo nas gripes.

Cravo:
Esse é popular no docinho de festa, o charmoso beijinho doce. O cravo-da-índia, como é conhecido têm cheiro inconfundível e é usado no combate a bactérias, fungos, parasitas, micoses e, também, como analgésico na dor de dente.

Pimenta do Reino: Carro chefe das especiarias, dá sabor picante aos alimentos. Têm propriedades digestivas e estimula o apetite. Também chamada de pimenta-da-índia ou pimenta-negra é nativa do sudeste indiano.

O Brasil na rota das especiarias – O leva-e-traz de cheiros, as surpresas da nova terra

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por Rosa Nepomuceno
Editora José Olympio
174 páginas
$30,00

Ficha Técnica

Data de publicação: Fevereiro 2006

Veículo: Revista Paradaxo