7 / September / 2009
Categorias: entrevista

Entrevista com Jane Pettigrew

Jane Pettigrew - Divulgação

Jane Pettigrew é inglesa e sempre gostou de chá. Por isso, em 1983 ela abriu uma loja de chá, estudou e aprendeu tanto sobre o tema que virou especialista, historiadora, escritora e consultora na área. Jane é autora de 13 livros que falam sobre as variedades, os aspectos, a produção, a história e a cultura da planta e foi lendo uma de suas obras, o Tea Companion - A Connoisseur’s Guide (sem tradução para o português ainda), que senti vontade de saber mais sobre seu caminho conhecendo e ensinando tudo que se relaciona com o chá.

Enviei um e-mail solicitando uma entrevista para a revista em que trabalho e uma outra para o Rota do Chá. Gentil, Jane disse que entraria de férias em alguns dias, mas que teria prazer em responder assim que voltasse e me pediu para enviar as questões. Mandei as perguntas e fiquei ansiosa com as respostas e até temi que pudesse ter esquecido. Quando o retorno chegou, não poderia ficar mais feliz. Jane é referência no mundo todo quando assunto é chá e ter a oportunidade de ouvir um pouquinho do que ela tem para falar é sempre uma honra. Para a revista Espresso, que chega às bancas este mês, ela foi minha fonte na matéria Uma xícara de sensações, em que falo sobre como degustar o chá. Aqui no blog, a conversa é mais pessoal e em formato de entrevista que você poderá conferir na íntegra.

Optei por deixar a entrevista em inglês para não perder a essência das respostas na tradução. Eu fiz uma versão traduzida, mas as vezes tenho a impressão de que muito da autenticidade das palavras proferidas em outro idioma se vai na tentativa de uma interpretação. De fato, acredito que certas palavras, frases ou expressões fazem muito mais sentido na língua mãe que quando traduzidas. Isso envolve cultura, história… Enfim, papo para outra postagem. Por enquanto, espero que aproveite a conversa curtinha, mas muito rica, com Jane Pettigrew. Ela parece ser o tipo de pessoa que se quer sentar para bater um longo papo em uma mesa de chá da tarde.

Ah! Por favor, me diga se você prefere textos como o desta entrevista sempre traduzidos. O motivo acima não impede uma versão em português, ok?! Afinal, os posts só fazem sentido quando há troca, com o retorno de quem passa por aqui.

Rota do Chá: Have you always like tea? When did you realize that your tea apreciation could be come a regular job?
Jane Pettigrew:
I grew up drinking tea. It was part of my life from a very early age.  But i didn’t know anything about tea until I opened my tea shop in london in the 1980s and started studying and learning. I have always been more involved in studying the history than tasting but as one learns more about  tea and drinks more and more varieties, one becomes able to appreciate the differences and to judge what is good and what is bad.  so today, I try to help other people know what to look for when tasting different teas.

What are the difficulties in your work, spreading the gourmet tea?
The biggest difficulty is the lack of knowledge or awareness that so many different teas are available from 40+ countries.  Most people just buy teabags and have no interest or understanding of where the teas come from, how they are blended, whether they are good or bad, etc.  We are trying to raise awareness that tea is like wine and offers an amazing range of taste experiences. This is beginning all around the world but we still have to work hard to tell people about the options other than cheap teabags which often taste of nothing at all.

You have been on a lot of tea plantation. Which one has impressed you the most? And why?
That’s impossible to say - all plantations are so interesting and have their own particular way of doing things, their own challenges, etc.  And each time I visit a plantation, I learn something new.

Brazil is considered the coffee country. Do you think there is a market for tea in places where, like Brazil, the coffee culture is dominant?

There are very few countries around the world where tea is not drunk at all. My experience of Brazil in the past is that tea still tends to be drunk by the older, wealthier generation but if a tea company markets its teas right, with a young image, iced or hot, not old-fashioned and boring, the tea market could boom.  In southern parts of america where it is hot most of the year as in Brazil, more and more tea stores are opening and tea sales are increasing.

What tea has caught your atenttion lately?
Taiwanese Oolongs are probably my favourite at the moment but I have been very impressed recently by korean greens, malawi whites and good quality yunnan puerh teas.

  • 1. Vanilda Fiuza  |  September 7th, 2009 at 20:47

    Olá Hanny!

    Gostei muito da entrevista, aprendi mais sobre chás .
    Concordo com Jane Pettigrew, quando ela diz que as pessoas apenas compram saquinhos de chás sem nenhum interesse e entendimento de que, o chá é como vinho, e oferece uma incrível variedade de sabores, quanto mais barato mais tem gosto de nada.
    Bjokinhas.

  • 2. Adri (Nadeshiko)  |  September 8th, 2009 at 09:17

    apesar de ser capaz de entender razoavelmente inglês escrito, acredito que seus post terão um alcance maior se traduzidos. acredito que seu talento será capaz de eliminar a barreira idiomática da maneira mais fiel possível!
    essa é a minha opinião.
    excelente post!

  • 3. Carol  |  September 8th, 2009 at 10:56

    Olá, Hanny!
    Ótima idéia de trazer gente tão sabida pra pertinho da gente…! :)
    Sobre o que ela falou do apelo jovem na hora de vender a idéia do chá, no Brasil por ex., acho que o Mate Leão (mesmo sendo infusão e tals) foi um pouco por esse lado, principalmente investindo no gelado com limão, com pêssego…bem, essa é minha impressão.
    Ah, e no meio da minha “vasta” experiência, meus preferidos são tb os Oolongs (tem um com aroma de leite - Milky Düft Oolong Tee, Fujian, China, diz o pacotinho: meu preferido!)
    E, parabéns, viu! Entrei no site da revista e ela já foi pro favoritos também!
    Tudo de bom!

  • 4. Thomaz Jr.  |  September 9th, 2009 at 17:35

    Alias, no Brasil, se associa chá e infusões à doenças. rs. Chá é visto como medicamento ou bebida milagrosa - tipo os que “emagrecem”, e não como uma bebida prazerosa.

  • 5. Hanny  |  September 9th, 2009 at 19:28

    é thomaz,
    por aqui, ainda há muito o que trilhar.
    mas o caminho é esse mesmo! a gente que tá engatinhando nesse mundo novo tem mais é que difundir o chá como uma bebida mais ligada ao prazer, assim como o café é hoje… temos que fazer mais convites do tipo: vamos tomar um chazinho?

  • 6. Hanny  |  September 9th, 2009 at 19:35

    carol!
    divido a mesma opinião contigo. a mate leão, a lipton… todas estas estão investindo em público novo e isso é não só fortalece o mercado de chás, como agrega a cultura. claro, é sempre melhor fazer infusões com folhas soltas, de qualidade, sem adição de nada além de água e chá, mas acredito que essas marcas também contribuem positivamente e têm seu mérito.
    ah! compartilho até a preferência pelos oolongs, viu?! são os meu favoritos!

  • 7. Hanny  |  September 9th, 2009 at 19:37

    legal, adri!
    obrigada pela opinião!
    os próximos, então, terão sempre uma tradução ;-) bjos!

  • 8. Hanny  |  September 9th, 2009 at 20:17

    vanilda,
    é incrível como depois que a gente conhece um pouquinho do que os chás podem oferecer, não queremos outra coisa (rs)
    e tem que ser ali, folhas soltas, qualidade, bonitinhas e saborosas… enfim, um universo!
    mas sabe, assim como os chás gelados prontos, os saquinhos também tem seu lugar. ajudam a popularizar a bebida. tento não satanizar muito os tea bags hehe eles são uma opção e podem ser um começo. eu mesmo passei por eles e ainda experimento um ou outro. hoje em dia ainda se tem a opção de chás em saquinhos mais gourmets. são feitos com folhas melhores e colocados em saquinhos que não contém cloro. as coisas estão melhorando e o mercado está acompanhando cada vez mais a evolução. eu espero que continue crescendo, principalmente aqui no país ;-) bjoss!

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