5 / October / 2009
Categorias: resenha
Assam Boisahabi Malty TGBOP Second Flush
Tipo: chá preto
Forma: folhas soltas partidas
Origem: Assam, Índia
Fabricante: Tee Gschwendner
Quanto: R$ 21,00 (50 gr.)
Cafeína: sim
Tenho a impressão de que alguns chás são, para mim, como filmes do cineasta David Lynch. A comparação soa pretensiosa e desconexa, mas explico. Assim como as viagens do diretor, certos chás possuem uma beleza estética inquestionável e aroma e gosto – em analogia a uma narrativa, por exemplo -, complexos, estranhos, mas igualmente intensos. Ao contrário do que pode parecer, a semelhança é positiva, pois aguça o pensamento após deixar um sabor prolongado seja do filme ou do chá.
O Assam Boisahabi Malty TGBOP Second Flush entra para a minha lista de chás David Lynch. É extremamente difícil de compreender, entretanto traz beleza e gosto que permanecem na memória após meses. Demorei a disponibilizá-lo em resenha, pois sinceramente não sabia o que dizer. Foi preciso ruminá-lo um longo período para perceber um bocado mais que nada. Penso que, neste caso, já é algo e fico feliz em dividir este pouco por aqui.

Este chá foi cultivado no vale de Assam, na Índia, região produtora de uma parcela significativa do chá mundial. Suas folhas são de segunda colheita, realizada a partir de junho. As características deste tipo de chá, desta região, são sabor forte e maltado, por vezes picante, com adstringência presente e leve cremosidade, apresentando cor vermelho-escura. Se existem esses aspectos comuns, por aqui a experiência não foi diferente. Com exceção do sabor picante que, de fato, não senti. Mas todo o resto no gosto e no visual da infusão já feita se faz valer. A bebida é robusta como um English Breakfast de melhor qualidade. Quanto ao aroma… Antes e depois da infusão é bem forte e lembra fumo e caramelo.
As pontinhas brancas típicas neste chá e as folhas pequenas revelam a sigla TGBOP presente no nome, que significa Tippy Golden Broken Orange Pekoe, e mostra a classificação do tipo de chá, determinando a qualidade de acordo com o tamanho das folhas. No grau de classificação, o Assam Boisahabi Malty TGBOP Second Flush, por exemplo, traz folhas de boa qualidade com grande proporção de tips (folhas que ficam na extremidade da planta, as pontinhas do arbusto). São as melhores no grau de classificação das folhas partidas/quebradas. Se o chá da resenha já é complexo, a grade de classificação do chá é ainda mais e merece uma postagem exclusiva, que virá em breve.
A alusão a filmografia do cineasta americano não é gratuita e a cada hora me vem à cabeça mais afinidade que descompasso. Dia desses caiu a ficha. Depois de algumas xícaras ao longo do mês, me peguei sentindo uma forte adstringência por toda a boca, mas ao final um gosto delicioso de baunilha, doce e leve. Não que Lynch seja leve e doce, pelo contrário, mas depois de algumas vezes assistindo um mesmo filme do diretor você sente finalmente uma sensação boa que não exige entendimento, nem sentido, apenas sentir. É assim com este chá.
Recomendação: a embalagem do chá indica infusão de 5 minutos, mas sugiro infusão até 3 minutos - mais que suficiente.
Obs.: clique nas imagens para ampliá-las


1. Patt | October 5th, 2009 at 13:30
De maravilhosa classificação,perfeito maltado com pouquinho de leite e gotinhas de limão,um Sr.Para tardes despretensiosas e assim mesmo elegantes.Combina com Stropo (o holândes é claro).Tippy Golden Broken Orange Pekoe,um tippy fantástico e envolvente.
2. Hanny | October 5th, 2009 at 15:23
hmmm ótima dica patt!
com umas gotinhas de leite vai super bem!
3. Edgard | October 5th, 2009 at 18:10
Eu sinto coisa parecida quando eu bebo um Dan Cong por exemplo.
O sabor persiste e fica dançando aleatoriamente no pós-chá.
O melhor vem muito depois com a nostalgia associativa.
Essa é uma das maravilhas de todo o espectro da camelia sinensis e prova de que não é somente uma bebida mas uma obra de arte.
4. Leonardo Boiko | October 6th, 2009 at 16:35
http://www.youtube.com/watch?v=PRhxsYZVO5U
5. Hanny | October 9th, 2009 at 11:54
essa cena é muito boa!
valeu, leo!
6. Hanny | October 9th, 2009 at 11:56
“o sabor persiste e fica dançando aleatoriamente no pós-chá”
é bem por aí, edgard… quase uma dança.
bonito que só =)
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