31 / January / 2010
Categorias: resenha
Tipo: chá preto
Forma: folhas soltas inteiras
Origem: Fujian, China
Marca: Tee Gschwendner
Quanto: R$ 44 (50 g)
Cafeína: sim
Um produtor de chá na província de Fujian, na China, havia vendido um grande carregamento de chá verde a um comerciante europeu. O mercador pagou o lote com antecedência, mas nem imaginava o que estava por vir. Antes de embarcar a mercadoria, o produtor sofreu uma enchente no armazém onde guardava o produto. Na ânsia de entregar o chá a tempo, ele resolveu secar as folhas em um forno a lenha e o chá absorveu todo o cheiro de fumaça.
Essa é uma das muitas histórias associadas à criação do Lapsang Souchong, um chá preto rico em aroma e sabor defumados. O século XVII assistiu a introdução deste tipo chá na exportação e até hoje sua produção é, originalmente, realizada em Zheng Shan, parte do Monte Wuyi (também grande produtor de Oolongs), na província de Fujian.
No ano passado pude experimentar o Lapsang Souchong na culinária, mas ainda não o tinha provado em infusão. Quando o fiz, fiquei surpresa com o sabor agradável na xícara.
A amostra da marca Tee Gschwendner, apresentou uniformidade de tamanho e cor das folhas ainda secas. A primeira coisa mais marcante neste chá é o intenso aroma defumado. Com a embalagem ainda fechada é possível sentir o cheiro invadir o ambiente. Por isso, é importante armazená-lo bem para que não contamine chás mais delicados com sua principal característica.

Feita a infusão de 2 minutos, com água a 90ºC, um acentuado aroma de cinzas se revela assim que você retira a tampa do infusor.
Na xícara, o cheiro persistiu e a cor alaranjada da infusão instigou a prova. Se eu tinha alguma dúvida sobre a presença do defumado também no paladar, ela se extinguiu como o apagar do fogo, mas deixou cinzas para contar história. Talvez, pela descrição, possa parecer estranho dizer que este chá estava delicioso, mas estava. Mostrou um corpo cremoso, amanteigado e pouquíssima adstringência, além do sabor amadeirado.

O Lapsang Souchong deixou no paladar um final salgadinho e quase oceânico. Sim, em algum momento diante da xícara fiquei com a sensação de estar sentada em frente ao mar, enquanto uma pessoa conhecida preparava na brasa um peixe fresquinho. Se você não for com o gosto do Lapsang – eu adorei – ele, no mínimo, é uma boa viagem.
Onde encontrar: A Loja do Chá – Avenida Brigadeiro Faria Lima, 2.232, 3° piso, Jardim Paulistano (SP). Tel.: (11) 3816-5359.
Obs.: clique nas imagens para ampliá-las.



1. Iuri Rodrigues | February 1st, 2010 at 10:32 am
Vivendo e aprendendo rsrs
Muito bacana esse post
Abraço
2. Beto Dezan | February 1st, 2010 at 12:35 pm
Adoro seu blog!
Eu ja gostava de chá, mas ao ler seus depoimentos fico mais instigado a esperimentar novidades..
Bjus
3. Edgard | February 2nd, 2010 at 3:32 am
Posso dizer sem medo que essa região é das minhas favoritas. A variedade produzida lá é imensa.
Lá estão as três imponentes árvores Da Hong Pao que estão de pé desde a dinastia Song, rendem anualmente menos de um quilo chá, sendo esse o mais caro existente, parte o governo chines usa como condecoração e a outra parte é leiloado a preços milionários.
Talvez o gosto salgado quase oceânico que você captou é o que os chineses chamam de gosto rochoso e é único dessa região, assim como o enfumaçado, Embora o Lapsang Souchong seja de fato defumado os chás dessa região geralmente tem um aroma de fumaça que é resultado da torrefação rigorosa para que o chá mantenha suas características a longo prazo e até envelhecer.
Se você “ler” as folhas após diversas infusões quando elas se abrirem completamente vai perceber que elas são fibrosas, longas e serrilhadas, isso porque a que a região permite o desenvolvimento completo das folhas que crescem lentamente no terreno rochoso.
4. Hanny | February 4th, 2010 at 11:37 am
olha que surpresa, edgard, saber dessa característica de sabor que os chineses chamam de rochosa pela região onde se desenvolve.
o lugar é belíssimo e frutífero. fiquei muito curiosa para provar os oolongs tb.
nos próximos preparos vou fazer um número maior de infusões para ver o que diz sobre a extensão das folhas.
obrigada!
bjos
5. Hanny | February 4th, 2010 at 11:38 am
beto, fico feliz!
quando experimentar bons chás por aí, volte aqui para contar =)
bjos
6. Dani Franken | February 5th, 2010 at 10:44 am
Oi Hanny, ainda não posso tomar chá preto, só o decaf. Ainda estou amamentando, mas daqui a pouco vou tirar a barriga da miséria. Vou reler todas suas matérias e esperimentar toooodas!
bj
Dani
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