Tipo: verde
Forma: folhas a granel
Origem: Coreia, Japão, China
Marca: Tea Smith
Quanto:
Ano: –-
Cafeína: sim

Uma amiga fez uma dieta brava tempos atrás. Dizia tomar chá verde, porque era bom para emagrecer. Ela hoje está sequinha – não só por conta da bebida, claro -, mas não quer ver uma xícara de chá verde na sua frente. A lembrança que ficou foi de um líquido amargo, ruim pra burro. Isso porque, provavelmente, era mesmo difícil de engolir. Foi uma experiência nada boa, que partiu de uma escolha mal feita: leu em uma revista que era bom e pegou o primeiro saquinho que encontrou no supermercado. Como a primeira impressão fica, ela não quer ver o chá nem pintado de coca-cola.

Conto essa história, porque sempre ouço alguém dizer que não gosta de chá verde. Eu mesmo nem era fã de início. É uma afirmação complicada, porque existem variações de chá verde – ou preto, ou oolong – e cada um deles tem um sabor diferente. Pode ser que tenha tomado um e não gostado, mas não quer dizer que os outros vão ser iguais. A questão é que não dá para colocar o tipo em uma sacola e dizer que é tudo mesmo a coisa. Dentro da “família” chá verde, existem tipos diferentes que vão ser determinados pela planta, pelo lugar de cultivo, o clima, o solo, o processamento e por aí vai.

Neste post, um exemplo, ou melhor, três. Um coreano, um japonês e um chinês. Cada folha é de um jeito e dá uma bebida muito distinta uma da outra.

Sparrow’s Tongue: o nome é o seguinte: dizem que as pequenas folhas enroladas se assemelham a língua de um pardal. Nunca tinha provado um verde coreano antes. Na parte sul da Coreia do Sul, entre o final de abril e o começo de maio, começam a brotar os primeiros botões. Ainda seco, tem cheiro bom de folha fresca e na infusão o aroma lembra o japonês gyokuro. De sabor é bem diferente, porque primeiro vem uma sensação de leve amargo, mas depois parece um pouco salgado e termina doce. Esquizofrênico, mas bem interessante. Tenho a impressão que combina bem com legumes assados ou carne.

Karigane: uma mistura de talos e folhas de chá verde japonês gyokuro. As folhas secas têm cheiro doce e lembram grama, um bocadinho. A infusão é mais espessa. Meu infusor deixou alguns resíduos, mas nada que pudesse comprometer. A textura é bem cremosa e o sabor é doce, também lembra alga. Bastante delicado.

Bio Luo Chun: adoro esse chá verde chinês. Já tinha provado antes uma outra remessa – do pessoal da Cha Yê – e gostei de tudo nele. Desta vez não foi diferente. A secagem é feita manualmente em panelas e é moldado até ficar com as folhas, colhidas na primavera, enroladas. Ele engana, parece bobo no início, tem um aroma tímido, mas seguindo em frente dá para sentir um limão nele. No sabor, a mesma coisa. Todo delicado e aí aparece uma pontinha ácida na história e muda tudo. Acho que pode combinar com folhas verdes refogadas como espinafre ou couve.